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Por que é importante trabalhar utilizando diferentes texturas, formas e cores com crianças com TEA?

  • 26 de abr. de 2018
  • 3 min de leitura

A primeira versão de uma hipótese sensorial do autismo, elaborada por Bergman e Escalona (1949), defendia que os autistas nasciam com um alto grau de sensibilidade e por isso criavam defesas. A batalha da criança para lidar com essa sensibilidade sensorial acabava resultando em problemas no desenvolvimento que teriam como reflexo os sintomas descritos por Kanner (1943). Outras hipóteses sensoriais foram surgindo ao longo da história do autismo. Delacato (1974) e Doman (1986), por exemplo, entendiam o autismo a partir de um modelo sensorial/neurológico no qual os sintomas do autismo, como problemas comportamentais, eram consequência de alguma lesão cerebral que fazia com que a criança autista percebesse os estímulos do mundo de forma diferente das não autistas, ou seja, apresentavam uma disfunção sensorial. Seguindo a mesma linha, outras hipóteses sensoriais com relação ao autismo consideram alguns dos comportamentos do transtorno como consequência de uma disfunção no processamento dos estímulos sensoriais. Em 1964, Hutt, Hutt, Lee e Ounsted apresentaram a ideia de que a criança autista possuiria um sistema de modulação do estado de ativação (arousal-modulating system) deficiente. Esses autores consideravam a hipótese dos autistas experimentarem um estado aumentado de ativação (overarousal) crônico, o que justificaria alguns dos comportamentos encontrados no transtorno. Atividades repetitivas que requerem atenção sustentada, por exemplo, seriam uma forma de evitar a entrada excessiva de estímulos e trazer alívio e calma perante um estresse sensorial. Logo, atividades repetitivas e previsíveis como alinhar objetos, observar 54 objetos rodando ou repetir números decorados, poderiam ser entendidas como uma forma de desligamento (shut off) com o intuito de reduzir a atenção a estímulos inesperados e potencialmente desconfortáveis. Ornitz e Ritvo, em 1968, modificaram um pouco essa hipótese sugerindo que o autismo fosse caracterizado por uma flutuação entre os estados aumentado e diminuído de ativação (overarousal e underarousal), resultando em uma falha na modulação do input sensorial e em uma experiência perceptiva instável. Segundo esse modelo, os sintomas primários do autismo seriam problemas na modulação sensorial, que causariam os prejuízos de interação social, de comunicação, de linguagem e de comportamento. Dawson e Lewy (1989) sugeriram uma teoria complementar para explicar as relações entre o nível de ativação (arousal) da criança autista, seus déficits de atenção, e seus prejuízos no desenvolvimento sócio emocional. Os autores apresentaram o conceito de nível ótimo de estimulação. Segundo os mesmos, todo organismo possui um nível ótimo de estimulação determinado biologicamente, sendo que no autismo esses níveis variam de acordo com o estágio de desenvolvimento, grau de familiaridade com a situação e severidade do transtorno. Quando esse nível é excedido nessas crianças elas reagem de diversas maneiras, incluindo evitação ao contato visual, distanciamento social, questionamentos incessantes, rituais e estereotipias motoras. De acordo com os autores os comportamentos autoestimulatórios parecem aumentar em resposta a determinados aspectos não familiares de uma situação.

  • Manter a organização do espaço físico (pouco material visual exposto na parede, no chão e no teto, selecionar previamente os materiais a serem utilizados na atividade e eliminar os demais estímulos desnecessários).

  • Recursos facilitadores como, sinalizar o início, a transição ou a finalização de uma atividade por meio de sons ou movimentos (ex: uma música).

  • Reduzir ruídos externos e internos durante a realização de atividades

  • Alocar as crianças longe das janelas, de portas e grande circulação durante a realização de atividades que exigem maior atenção.

  • Organizar o quadro de rotina em que se possa tocar, cheirar, grudar, colar, validar as informações sensoriais que mais facilitam a compreensão e a organização do aluno.

  • Promover antecipação das atividades com a apresentação da rotina.

  • Falar em tom mais baixo, para diminuir o alerta da classe e aumentar a atenção dos alunos.

  • Ajustar postura da criança, para que mantenha mais atenção (oferecer assentos texturizados, almofadas ou bolas de pilates, ajustar a altura da mesa e da cadeira, proporcionando que a criança apoie os pés no chão e os cotovelos sobre a mesa).

  • Respeitar limites das crianças que apresentam sensibilidade ao toque e sons;

  • Permitir o uso de engrossadores de lápis para o refinamento da escrita, incentivar o desenho livre com os dedos sobre superfícies lisas e com texturas.

  • Promover brincadeiras que envolvam movimentos e coordenação motora grossa antes de iniciar uma atividade de coordenação motora fina.

  • Promover atividades de coordenação motora fina com as crianças em diversas posições (chão, carteiras, em pé ou com apoios diferenciados).

  • Recursos visuais são facilitadores na atenção e na execução das atividades pedagógicas (ex: engrossar as linhas do caderno com caneta preta, usar contrastes preto e amarelo ou azul e branco para destacar ordem e regras a serem seguidas durante a atividade).

  • Recursos auditivos são importantes para prevenir que a criança entre em estado de alerta, é importante antecipar sons inesperados (como o sinal para o recreio ou para o termino de uma aula).

  • Minutos antes do término do recreio, propor brincadeiras mais mais calmas, ou permitir que a criança entre depois dos colegas quando a sala estiver estabilizada.

 
 
 

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