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O Autismo e a Música

  • 26 de abr. de 2018
  • 3 min de leitura


Será que a música pode ajudar crianças, adolescentes e adultos com autismo em seu desenvolvimento? A relação da musicalidade com a prática terapêutica junto às pessoas com autismo tem sido alvo de pesquisas no Brasil e no exterior, dentro do campo da Musicoterapia. Veja abaixo algumas considerações importantes sobre o que tem sido descoberto nesse campo de conhecimento:

Como o corpo das pessoas com autismo funciona quando há música?

As pessoas com autismo podem apresentar um processamento sensorial diferenciado. Sabemos que elas tendem também a processar melhor as informações espaciais e concretas e focar a atenção em partes separadas, podendo ter dificuldade em formar uma ideia geral do todo. Mas, como os processos cerebrais afetam a relação das pessoas com autismo com a música?

Um aspecto muito interessante e que está ligado ao funcionamento cerebral específico das pessoas com autismo é que estas pessoas mostram respostas neurofisiológicas reduzidas para estímulos a partir de palavras nas regiões frontais do cérebro. Ou seja, quando comparadas com as pessoas neurotípicas, as pessoas com autismo tendem a apresentar uma diminuição significativa da ativação para palavras em regiões centrais do córtex parietal, de acordo com o Professor Gustavo Schulz Gattino.

Além disso, entre as pessoas com autismo podem ocorrer reduções nos níveis de atividade do córtex auditivo secundário, sendo que esta é a área do cérebro onde deveriam ser processados os sons da fala. Estes fatores fazem com que possa existir entre as pessoas com autismo um maior interesse por sons relacionados à música do que por sons vindos da fala.

Segundo o Professor Gustavo Schulz Gattino, em relação à música, as pessoas com autismo tendem a apresentar uma capacidade intacta para percepção de melodias simples e um desempenho superior a indivíduos com desenvolvimento típico para processar elementos locais melódicos. Apesar disso, observa-se uma dificuldade para decifrar algumas melodias complexas e isto está ligado à dificuldade em formar “imagens musicais”, ou seja, compreender e ter uma visão global de séries de melodias que não apresentam o mesmo direcionamento.

As pessoas com autismo percebem sentimentos e emoções na música?

De acordo com pesquisas cujos resultados foram obtidos a partir de análises fisiológicas de alterações na pele dos indivíduos pesquisados enquanto eles ouviam música, as pessoas com autismo costumam ter uma percepção apropriada dos sentimentos e emoções evocados pelas músicas.

Nestes estudos, as pessoas com autismo em geral conseguiram identificar alegria, tranquilidade ou tristeza, por exemplo, ao ouvirem música, de maneira parecida com as pessoas neurotípicas.

O fato de a compreensão dos sentimentos e a expressão emocional estarem aparentemente preservadas entre as pessoas com autismo quando elas são expostas às musicas indica oportunidades e possibilidades amplas de trabalhos terapêuticos que envolvam o desenvolvimento da comunicação, do aprendizado e da interação social a partir da Musicoterapia.

Como a música pode ajudar as pessoas com autismo?

A Musicoterapia voltada às pessoas com autismo teria como objetivos o desenvolvimento de talentos e habilidades mediado pelas experiências musicais. A música poderia beneficiar o tratamento de crianças, adolescentes e adultos ao:

  • possibilitar a ação das pessoas com autismo dentro da estrutura temporal da música, através de participações livres, da exploração de instrumentos e de improvisações;

  • oferecer oportunidades de auto-expressão e de vivências criativas, como experiências de comunicação e interação entre pares sem a necessidade do discurso verbal;

  • oferecer alternativas de expressão e comunicação de modo socialmente adequado;

  • apresentar oportunidades para que as pessoas com autismo possam assumir responsabilidades com os demais indivíduos, por exemplo, quando os mesmos estão produzindo música juntos;

  • propiciar o aumento da comunicação verbal e não-verbal entre os pares;

  • possibilitar a aprendizagem de regras sociais para poder replicá-las em outros ambientes e contextos.

Entre as experiências musicais mais usadas em Musicoterapia, pode-se citar a improvisação musical, a composição musical, a re-criação de canções e a audição musical, segundo o Professor Gustavo Schulz Gattino.

Saiba mais sobre os benefícios da música para as pessoas com autismo e conheça a experiência de algumas crianças e adolescentes lendo também um artigo publicado no site do jornal Folha de São Paulo.

Agradecemos à equipe do LEdi (Laboratório de Educação Inclusiva) da UDESC e ao Professor Gustavo Schulz Gattino pela promoção de palestras sobre Musicoterapia e Autismo e por compartilhar os valiosos conhecimentos sobre o assunto. Citamos a seguir algumas indicações bibliográficas relacionadas ao trabalho do Professor Gustavo Schulz Gattino.

Aos interessados em saber mais sobre o assunto, recomendamos a página oficial do Professor Gustavo Schulz Gattino no Facebook e a leitura do livro “Musicoterapia e Autismo, teoria e prática”, de sua autoria.

 
 
 

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