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Dicas importantes para a Avaliação Diagnóstica

  • 12 de mar. de 2018
  • 5 min de leitura

Vamos destacar alguns dos erros mais comuns, para que você não caia em nenhum deles. ;)


1# Atribuir à avaliação diagnóstica o valor de prova classificatória.


A ideia da classificação em dois grupo: melhores e piores - é embutida na mente dos seres humanos desde muito cedo, e a sensação de competição é quase um instinto para a maioria. Ainda que não seja dito diretamente muitos professores tendem a agir na avaliação diagnóstica, de forma a dar a entender aos alunos que estão realizando uma prova classificatória. Alguns com objetivo de estimular o interesse e a dedicação, ainda que a intenção seja boa a consequência acaba não sendo. Além da sensação de ser avaliado gerar uma tensão desnecessária, a possibilidade de fracasso já no início do ano proporciona um sentimento de incapacidade nos alunos com maiores dificuldades.



O professor precisa compreender seu papel na avaliação diagnóstica, que é de investigador e não de classificador. Quando o professor consegue realmente assumir este papel os alunos, independente da faixa etária, sentirão que tem espaço para expor suas fragilidades, e que encontrarão no professor um apoiador, alguém que os ajudará a encontrar o caminho do aprender a aprender, respeitando suas limitações sem deixar de incentivar seu crescimento. É essa relação de confiança que pode ser construída desde os primeiros encontros com a turma, e a avaliação diagnóstica tem papel primordial nesta construção. Processo através do qual o aluno pode redescobrir o prazer das descobertas, e abrir se para este trajeto.


2# Partir do princípio de que todos encontram se dentro do esperado para a faixa etária

Partir do pressuposto de que todos os alunos estão em mesmo nível de desenvolvimento pode parecer otimista, mas exclui o fato de que cada membro do grupo vem de contextos sociais diferentes, diferentes estruturas familiares, desenvolvimento biológico, e que cada um destes estímulos (internos e externos) agem de forma que cada indivíduo é único.


Ainda que não existam crianças com necessidades educacionais especiais em uma determinada turma, ainda assim não haverá uma linha única capaz de delimitar o nível de desenvolvimento do grupo. É primordial que o professor possa como foi dito no tópico anterior, compreender seu papel de investigador e tratar o , não como um falha proposital do aluno, ainda que este tenha comportamentos que desfavoreçam a aprendizagem os seres humanos tem diferentes potencialidades e fragilidades e o é sempre uma pista, um indício de outra coisa. Um indício de uma família com estruturas sociais que não proporcionam um ambiente de aprendizagem em casa, e este pode ser um aluno que necessite de um suporte maior da escola a nível afetiva, ou um indício de um possível transtorno de aprendizagem, sendo necessária intervenção de outros profissionais?

o mais importante é desconstruir a falsa ideia de que existe uma turma nivelada em potencial, não há, o que sempre vai haver são grupos heterogêneos, com necessidades educacionais diferenciadas, principalmente por que cada um tem potencialidades diferentes, e as potencialidades por mais diferentes que sejam precisam ser valorizadas na avaliação diagnóstica. Uma aluna de ensino médio, com notas baixas nas disciplinas exatas veio posteriormente a ser uma grande fisioterapeuta, palestrante da área, professor universitário e escritor, um profissional inovador em sua área de atuação.

Nada diminui o valor do conhecimento por área, mas nada, nenhuma inabilidade teórica, pode por si só diminuir o valor do potencial de um indivíduo. compreender isto, e ter esta compreensão por fundamento de PRÁTICAS, isto sim é ser inclusivo.

3# Observar apenas os conhecimentos teóricos

Ao valorizar em uma avaliação diagnóstica apenas o âmbito teórico, o professor perde a oportunidade de avaliar habilidades importantes para o processo de aprendizagem. Além do fato de que questões objetivas podem ser o equivalente a “falsos positivos” já que um chute também pode levar a uma resposta certa sem que o estudante realmente domine a competência em questão.


Vale ressaltar ainda que conhecimentos teóricos podem ser meramente memorizados, um aluno pode decorar fielmente datas históricas importantes, nomes e fatos marcantes, sem, no entanto, compreender a relação causa consequência envolvida nos acontecimentos históricos, ou mesmo sem ser capaz de refletir acerca das problemáticas sociais que perpassam tais datas. Assim como pode reproduzir frases inteiras de conceitos físicos, ou químicos, ou geográficos sem ter a competência inerente a situações práticas que exijam tais conhecimentos. As habilidades construídas com base no não saber, são quase sempre estratégias muito bem elaboradas de fuga, que tentem a ser cada vez mais bem desenvolvidas se o ciclo da sensação de incapacidade não for quebrado.

A avaliação diagnóstica, no início de um período permite que novos vínculos sejam construídos, não só A PERSONAGEM “professor” que pode ter tomado no imaginário do aluno o papel de legislador do conhecimento, e nesse ponto pode se revelar um parceiro de novas descobertas, ao se mostrar empático aquilo que falta no aprendiz. E assim permitir que o aprendiz valorize suas capacidades, e se veja como alguém que não precisa fugir dos desafios.

4# Observar apenas as fragilidades e não as potencialidades

É frequente em relatórios pedagógicos de sondagem, que são enviados pela escola acerca de um aluno com necessidades educacionais especiais, observações apenas sobre as dificuldades dos alunos, tudo aquilo que não conseguem realizar, no entanto perceber potencialidades é tão ou mais importante do que perceber as fragilidades. Pois é através das habilidades já adquiridas, e dos interesses do indivíduo que vamos traçar estratégias de investimento nas áreas defasadas para a faixa etária. Um aluno que encontrava dificuldades para reaver informações dadas através de textos e aulas expositivas encontrou caminho nos esquemas visuais, pois tinha grande facilidade para desenho e uma inteligência viso espacial destacada. E através dessa estratégia teve destaque em todas as áreas de conhecimento. Vindo depois a trabalhar com arquitetura e planejamento de ambientes. Mas como um professor poderia traçar um plano de ação nesta linha sem dar atenção ao menino que ficava desatento as aulas, desenhando nos cadernos?



Existem múltiplas formas de inteligências, e quando compreendemos isso já foi dada a largada para um processo eficaz de inclusão. No entanto nosso sistema educacional tradicional tende a dar foco apenas a um pequeno grupo, ao grupo que é utilizado em avaliações classificatórias de vestibular e concursos. Não podemos nos esquecer que este não é nem poderia ser o único caminho possível a um aprendiz, principalmente na época dinâmica em que nos encontramos onde é cada vez mais exigido competências integradas no mercado de trabalho, e não conhecimentos estáticos. O mercado de trabalho autônomo e o empreendedorismo cresce juntamente com os jovens que se desenvolvem com competências e habilidades voltadas para essa sociedade do dinamismo, em que além dos conhecimentos teóricos por área de atuação é preciso desenvolver potencialidades sociais, linguísticas, visuo espaciais, cenestésicas, inter e intrapessoais, naturalísticas entre tantas outras que tem sua importância na sociedade, mas são por vezes esquecidas em sala de aula, e precisam ser incentivadas e utilizadas como caminho para investidas de novos saberes.


GOSTOU? ESTE É UM RECORTE DO EBOOK AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO. ;)


 
 
 

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